LATA DE SARDINHAS

_Piscina, Leandro Erlich, 2004, Museu Século XXI de Arte Contemporânea da cidade de Kanazawa, Japão, 5 de Novembro de 2005, data de abertura da exposição Alternative Paradise (fotografia de Porfírio Silva)
O mundo lusófono não pode terceiro-mundializar-se, por um isolamento da sua intervenção geo-estratégica à sua coutada de «luso-tropicalistas, lusófonos ou minho-timorenses», colocando-se à margem das Nações Unidas, da Europa e da Nato (que constituem o sistema de alianças que mais protege Portugal e a Civilização Ocidental) – e há que frisar que a coordenação de políticas externas dos países lusófonos nunca será absolutamente coincidente. O eixo Norte-Pacífico-Oriente é cada vez mais a linha fundamental da orientação externa do Brasil... não é a África nem a Europa. O Brasil está a preparar-se para competir com as três grandes nações norte-americanas: EUA, Canadá e México, e o Japão é cada vez mais um dos maiores destinos da emigração brasileira de técnicos e altos quadros (mas não só) e uma fatia crucial da economia brasileira.
A área da lusofonia não é a lusofonia, é o mundo. Não se pensa nada que possa ter futuro se a perspectiva é aqui o terrunho. Não se olha «daqui para lá» – é colocarmo-mos no meio do Atlântico em hora de tormenta... e depois olhar «daí» para a lusofonia em torno: o Atlântico é o eixo; mas não o é para o Brasil, não o é para a nação mais poderosa do mundo lusófono. Recai sobre nós Portugueses a responsabilidade de sermos (ainda) os mais escutados por toda a lusofonia, temos (ainda) um longo capital de prestígio e história – mas se não tivermos cabeça, seremos apelidados de neo-colonialistas anacrónicos e patetas e mandam-nos pescar sardinhas!


5 Comments:
Obrigado pela visita.
Votos de um bom resto de fim de semana.
Paulo
A Peste sempre em alta ;)
Abraço.
Abraços.
Os trilhos passados ajudam a fazer a exploração do futuro. Um dos pontos de contacto mais forte é a língua.
Abraço!
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